terça-feira, 28 de julho de 2015

Eu-rio-você-rio

18: Um número apenas. Sorrisos, lágrimas e histórias se escondendo por trás desses dois dígitos. Uma linha. É a única coisa que separa o começo do fim, o riso do choro, a vida da morte, e até mesmo os 17 dos 18. E de linhas finas feito essas na palma da mão nossa existência se equilibra, passo a passo, caminhando rumo ao sonho pelo infinito, até que se tropeça no fim. O amor também se embaraça com linhas. Mistura. De sentimentos, de dedos, de lábios. Voltando ao amor em grande estilo e parafraseando Mário Quintana, os laços são laços até se transformarem em nós, “porque quando vira nó, deixou de ser laço”. Espero que sua vida seja repleta de linhas enlaçadas, linhas separando tudo que se contrapõe, tudo que se contradiz, porque a vida não teria graça sem toda essa bagunça de positivo e negativo. É lei física, o Universo precisa dos opostos para que as coisas funcionem corretamente. E não é que a negativa realmente atraiu o positivo? Os dias pra mim nunca deixaram de ser números jogados à terra por algum grego sem o que fazer. Para que medir a vida em números, contando horas, dias ou anos, ao invés de marcar a passagem (inevitável) do tempo contando cada aventura que se vive? Como fiel inimiga dessa mania de marcar o tempo com números, está aqui minha mensagem de aniversário pra você, menino, com um atraso de algumas noites ao telefone miando saudades, uns segredos a mais e um coração um tanto mais cheio de amor (agora sim, a mensagem): Você é rio. E rio não para! Segue teu curso, criança. Sopre as velas e também os medos, mande a fumaça e os sonhos para o infinito e deixe que sua força de vontade transforme tudo isso em realidade. Trace essa linha tênue da sua existência, mas só não esqueça de me carregar bem do lado esquerdo do peito, porque ao contrário do que se esperaria, minhas malas já estão vazias; sim, vazias. Estão, portanto, prontas para que eu possa enchê-las de amor, memórias e histórias. Sorte grande ter você, seguindo seu curso em velocidade acelerada. Agradeço pela calmaria que nosso relacionamento causa em minhas águas, porque vejo meu reflexo nessas águas, e ao mesmo tempo, vejo o seu reflexo nessa menina. Só não sei se você é o rio, ou eu quem o sou. E a correnteza se encarrega de carregar essa mistura eu-rio-você-rio, em uma só pulsação.

Escrito 18/03/2015

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