terça-feira, 28 de julho de 2015

Sofá marrom

E então a noite resolveu que se transformaria em dia e quem sou eu para contestá-la. Ela que em toda sua majestosa beleza já me abraçou tantas vezes com um céu estrelado, fazendo sentir então com um tanto menos de saudade daquele cheiro de café de casa. Na tevê um leilão, na internet as notícias pararam de surgir tão freneticamente. Engraçado como o silêncio é tão barulhento antes de ser silencioso. Tudo o que eu queria era fechar os olhos e descansar o corpo e a mente desse peso diário da luta pela sobrevivência num mundo em que não se tem tempo mais para viver, apenas se sobrevive. A mente longe, mas não longe suficiente para que eu possa fugir dessa tempestade de palavras e sentimentos que me invade sem pedir, e assim a madrugada vai seguindo no ritmo das batidas lentas do relógio.
Esse meu jeito acelerado até para respirar deve ter uma explicação. No fundo desse ser deve existir uma resposta para tamanha afobação. Talvez seja sede. Sede de água salgada formando ondas, sede de sol se pondo ao horizonte, sede de laços, sede de improviso, de insanidade, sede de amor, e também de amar. Esse talvez é sede de vida, e mesmo com essa tempestade de palavras digitadas às pressas, ainda estou enterrada nesse sofá marrom, clamando por uma mão que me puxe daqui e me leve pra qualquer lugar a ser descoberto porque o mundo é grande demais pra gente se contentar com o pouco que nos é oferecido, mesmo que esse pouco seja o melhor sofá do mundo.

A famosa zona de conforto existe para roubar de nós esses sonhos. Avançamos em tecnologia, mas perdemos em qualidade de vida, trabalhamos muito para ganhar dinheiro para depois gastarmos dinheiro tentando recuperar a saúde, perdemos o nosso tempo, relutamos demais para não sofrer e acabamos por perder então o amor. Essa nossa geração não acredita mais em amor porque nunca viveu um amor de verdade. Hoje em dia as relações são mais frias que os ponteiros dos termômetros podem marcar. Só não estranhe caso esse texto acabe inacabado, seria um bom sinal, sinal de que enfim, o sono se entregou e me faz mergulhar num mar completo de sonhos onde a imaginação se faz real até que o sol raie e o despertar me traga de volta à esse sofá marrom.

Escrito 14/07/2015

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